O Baralho de Maria Padilha

MINHA HOMENAGEM E REVERÊNCIA À TODAS AS DAMAS DA NOITE, SENHORAS DA MAGIA E DO AMOR…

COM ESTA MAGNÍFICA CRIAÇÃO, DE AUTORIA DE MINHA QUERIDA AMIGA ELIANE ARTHMAN:

 O Baralho da Maria Padilha by Eliane Arthman

Certa noite, três meses após a operação, ainda afastada do mundo espiritual, despertei, pois ouvi um pequeno barulho.
Ao abrir os olhos vi Maria Padilha sentada no chão, ao lado da cama.
Ela estava ocupada enrolando fumo num papel e havia uma taça cheia com um borbulhante diante dela, com a marca rubra do seu batom na borda.
O chão parecia estar sobre luzes meio amareladas, o que cedia a ela um brilho lindo e sobrenatural. Ela estava elegantemente vestida com rendas vermelhas e seus cabelos negros lhe emolduravam o semblante.
O tilintar de seus balangandãs e suas unhas longas pintadas de vermelho, me fizeram ter certeza de sua identidade.
Eu queria distância de qualquer assunto ligado a espiritualidade!
Onde ela estivera todo o tempo em que busquei por ajuda? Onde estivera Tranca-Ruas das Almas, quando me senti fraquejar diante da dor física e das minhas questões espirituais?

Ela ergueu seu rosto e me fitou com os olhos úmidos.
Logo, pôs-se a falar, enquanto permanecia em sua tarefa de enrolar o fumo em suas mãos.

– Todas as vezes em que buscamos saber notícias sobre a sua doença, os Mestres gentilmente vinham até nós e nos esclareciam sobre os bons auspícios do seu caso.

Ela deixou o cigarro de lado e buscou a taça para sorver um gole.

– No dia da operação, estávamos todos junto a você e permanecemos fora da sala de operações, respeitosamente agrupados, sem o menor temor quanto a qualquer risco de vida que você pudesse correr. Mas depois de muitas horas de espera, vimos uma majestosa figura, que apesar de não emitir luz alguma, possuía uma energia potente e amorosa.
Esse que nos pareceu ser um Mestre, nos pediu que entrássemos em formação, pois que você faria a passagem.
Disse que, com a sua passagem, perderíamos todo o contato com você, voltando, assim, para os nossos lugares de origem.

Ele pediu que nós o seguíssemos até a Sala de Operações, pois poderíamos abraçá-la, antes que você seguisse para as pairagens espirituais.
Eu e todos os que compunham as falanges das encruzilhadas e dos cemitérios, nos abraçamos surpresos diante do que ouvíamos.

Nos considerávamos tão fortes e, no entanto, não nos foi dada a chance de reagir ao mal que fizeram para lhe tirar a vida.
Não quisemos ficar ali, pois nos sentíamos injustiçados com aquela situação. Os Mestres haviam garantido a nós que você ficaria bem! Assim sendo, desobedecemos as ordens e partimos para a rua em busca de vingança.
Andamos por um tempo infinito por muitas ruas completamente desertas e silenciosas, como se estivéssemos numa cidade fantasma. Queríamos nos vingar da tal mulher que se acumpliciara com as Trevas para lhe prejudicar, mas apesar de andar exaustivamente, voltávamos sempre ao mesmo lugar de onde havíamos partido, que era a porta do Hospital.
Finalmente fomos vencidos por nossa própria fraqueza e incompetência, apesar de ser um momento tão crucial, que era o de provar a enorme devoção que tínhamos a você.
Logo ouvimos a voz daquele Mestre Espiritual, que estivera conosco no hospital.

– Por quem vocês procuram, meus filhinhos? – sua entonação era d’um pai carinhoso que se dirigia aos seus amados filhos – Não existe ninguém para vingar! Como pode o aluno querer se vingar do professor que lhe passa uma difícil tarefa, dando-lhe a grande oportunidade de evolução intelectual? A lição terá de ser assimilada, por mais difícil que seja! Não existem culpados! A moça que fez o trabalho deu a todos vocês, inclusive a esta que se despede da vida, a chance de regeneração através da dor! Vocês precisavam aprender com essas lições. E ela, aquela que hoje se despede do corpo, lhes proporcionou esta oportunidade ímpar, pois jamais recuou diante de nada!
Não se pode negociar com as lições do inevitável! Não se lamentem! Venham comigo, pois ela ficará muito feliz em vê-los!

Estávamos desorientados e, por isso, agradecemos aquelas esclarecedoras palavras.
De volta ao Centro Cirúrgico, vimos o médico pedir a anestesiologista que fosse lá fora avisar que o pulmão não estava saindo e que ele fecharia o corte, finalizando a operação.
Mas, de repente, a porta por onde a anestesiologista acabara de sair tornou a se abrir e vimos um homem alto e forte, trajado de branco, que parecia ser um médico. Não pudemos definir se ele era encarnado ou desencarnado, pois que sua energia vital parecia estar neutralizada.

Sem demonstrar nos ver, ele colocou sua mão direita dentro da incisão feita pelo médico e pronunciou algumas palavras que não pudemos compreender.
Logo, vimos muitas figuras escuras se formando. Era uma multidão delas. A figura que estava à frente de todas e que tinha uma horrenda fisionomia, berrou para o homem que estava com a mão na incisão:
– Tire a mão daí, pois ela já está conosco! Ela foi pedida e vamos levá-la daqui!

Não havíamos reparado haverem espíritos ali. Eles se fizeram visíveis depois que aquele homem adentrara na sala.
O recém chegado perguntou, então,
onde estava a sua vulnerabilidade que lhe tornara incapaz de uma reação.

O ser da face horrenda pareceu titubear na resposta, pois não compreendera aonde o homem queria chegar. Aproveitando tal atitude, o homem tornou a perguntar:

– Onde está o erro dela? Por onde ela lhes deu passividade para que vocês pudessem realizar as suas funestas intenções?

Ainda confuso, o ser respondeu:

– Ora, ora… Ela fumou todo o tempo, está compreendendo?! Nunca se preocupou com a saúde! Foi por essa brecha que pudemos adentrar em seu corpo, com a ajuda dos microscópicos seres da primeira dimensão, que nos cederam as bactérias neoplásicas necessárias para tirá-la do corpo!

– Pois, então, se o erro dela está no pulmão, leve-o com você!

Novamente o ser se complicou, sem saber qual atitude tomar:

– Nada disso! – retrucou ele – Ela está pedida e nós temos ordens para levá-la conosco!

– Mas vocês só podem ir até onde o merecimento dela não alcança! Ela quebrou as Leis das Trevas com as oferendas que fez! Vou lhes provar que ela tem como reagir ao ataque de vocês!

Passando as duas mãos sobre seu corpo, este ganhou luz própria, reluzindo em várias cores, emitindo luzes holográficas que passaram a circular por todo o Centro Cirúrgico. As luzes rodopiavam pela sala, feito um furacão multicor, provocando emoção indescritível em todos que ali estavam. Vimos os habitantes do inferno sendo zelosamente cuidados por seus guias, que estavam disfarçados em demônios, para que seus protegidos não ficassem abandonados à própria sorte. Passamos a perceber, então, as falanges com as quais você esteve a trabalhar, como a dos leprosos, a dos doentes mentais, a dos suicidas, a dos que sofriam de doenças incuráveis e a dos santos exorcistas.
A única parte do seu corpo que ficara visível, carnal, humana, possível de ser tocada, tinha sido o pulmão, que se encontrava com um aspecto escuro, completamente tomado pelo câncer!

O ser que reivindicava seu corpo e, assim, a sua vida, ficara sem saber como proceder para levar você com eles. O Homem de branco tornou a acessar a incisão feita pelo médico e sem nenhuma dificuldade retirou todo o órgão, colocando-o nas mãos daquele que o reclamava.
Ali se desenrolava um drama que, na verdade, era um memorável encontro entre a treva e a luz.
O ser ficou a segurar o órgão sem querer se retirar do ambiente, distraído com tudo aquilo que via acontecer. As luzes passaram, então, a atravessar os corpos espirituais de todos eles, causando-lhes sensações nunca dantes experienciadas.
E naquele exato momento, o cirurgião tentou e conseguiu, finalmente, retirar o pulmão, colocar os clipes nos brônquios e passar o órgão por entre as costelas.
Ficamos muito felizes em tê-la conosco!

Ela sorveu mais um gole da espumante que mantivera em sua mão e ergueu a taça sorrindo.

– Brindemos à vida!

(Depois de muitos anos, pude obter a autorização para divulgar o que agora relato. Esse fato ocorreu anos depois do lançamento do Baralho da Maria Padilha By Eliane Arthman)

🌹

…Tornei a olhar as cartas e, mentalmente, pude entender todos os seus significados. Ela exalava um aroma delicioso, que jamais consegui definir de qual “Maison” provinha e suas rendas faziam um farfalhar muito interessante. Mas o que me encantou mesmo, foi sua humildade e simpatia. Tratou-me com muita elegância e bondade, explicando-me tudo com muita paciência, sem zangar-se com o meu torpor.
Eu nem imaginava quem era ela…
Pensei tratar-se de uma fidalga ou, quem sabe, uma cortesã europeia.

– Senhora – chamei-a novamente – perdoe-me inquirir-lhe… Qual é mesmo o seu nome?

Agilmente ela levantou-se da cadeira que estivera dividindo comigo e, segurando a saia, fez uma reverência bem diante de mim:

– Eu sou Dona Maria Padilha da Almas, moça!

A vibração da pronúncia que usou me fez, novamente, tremer da cabeça aos pés.
Fechei os olhos e, ao reabri-los, a parede já estava materializada e tudo que vislumbrei desaparecera como que por encanto.
Mas sua voz ficou a vibrar em meus ouvidos, pois ela viera naquela abençoada noite abrir um Portal, depois de muito trabalhar e insistir em conseguir autorização de Deus para isso, com a anuência dos Espíritos maiores.
E esse Portal estaria sendo aberto, também, no espírito de todos os que usassem esse Oráculo criado por ela.
Portanto, esse Oráculo pertence a Ela!
Fui apenas um instrumento.
Ele pertence, também, a todos os que respeitam e seguem Dona Maria Padilha!

Apesar de ter me passado toda a intuição do Baralho, Ela me desautorizou a interferir nos significados de cada Lâmina, pois à cada Instrutor caberia dar a própria interpretação à cada carta, conforme sua posição em cada jogada.
Até mesmo a forma de dispor o jogo Ela não queria divulgar, para que isso não viesse a interferir negativamente em seus novos Instrutores. Mas precisei insistir e lhe pedir durante muito tempo para que me autorizasse fazer um vídeo, mostrando a minha forma de jogar, já que no Livreto Explicativo isso não ficara muito claro.
Ela me disse que cada unidade do Baralho teria um Guardião, escolhido por Ela, que seria o responsável pela ativação e pela preservação dos poderes do jogo.
Disse, também, que eu nunca negasse autorização aos que quisessem promover os Cursos de Instrução dele, pois tudo isso já estava previsto por Ela e por toda a Sua Falange!
Até quanto à Consagração do Baralho, eu deveria deixar à critério de cada um, sem interferir em absolutamente nada que dissesse respeito ao Oráculo.
Acatei tudo aquilo que Ela tão gentilmente me pediu, pois senti que fazia questão que eu jamais esquecesse de quem era a verdadeira autora do Baralho.

Salve Ela!

🌹

IMPORTANTE:

TODO O CONTEÚDO DE TEXTO E VISUAL DESTE ENSAIO É DE AUTORIA DE ELIANE ARTHMAN, E A ELA PORTANTO PERTENCE.

 

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